Tipologias de financiamento ao investimento

Família e amigos

Antes de recorrer a qualquer outro tipo de financiamento, geralmente numa fase inicial das empresas, é comum os empreendedores recorrerem às suas famílias e a amigos (que se interessem e tenham disponibilidade para investir), para obterem um “empréstimo” inicial para o seu negócio.

Surpreendentemente, de acordo com estatísticas do sítio web Fundable, a família e os amigos são, de facto, a principal fonte de financiamento para os empreendedores que estão a iniciar o seu negócio. É por isso que na terminologia inglesa lhe chamam a fase dos 3 f’s – family, friends and fools, uma vez que esta fase acarreta, normalmente, menor investimento mas maior risco. No sítio web Entrepreneur, pode ser encontrada uma série de passos que o empreendedor pode seguir para obter um empréstimo familiar.

Claro que em muitos casos o próprio empreendedor possui o capital necessário para desenvolver o negócio, ou consegue um empréstimo bancário dando garantias pessoais - por vezes a própria casa - ou de alguém que está disposto a assumir este risco por ele/ela (e aqui voltamos ao family, friends and fools...). No entanto, o mais comum é os empreendedores não terem o capital necessário para fazer face ao negócio, e terem que recorrer a outras fontes de financiamento.

Crowdfunding

O crowdfunding, ou financiamento coletivo, consiste na obtenção de capital através da agregação de múltiplas fontes de financiamento, em muitos casos (mas nem sempre!) para iniciativas de interesse público.

Normalmente este modelo de financiamento recorre diretamente a pessoas interessadas numa dada iniciativa, ou negócio, utilizando plataformas web especializadas em angariar investidores.

As plataformas web de crowdfunding estipulam geralmente uma meta de arrecadação de capital que deve ser atingida para que o projeto que solicita o financiamento seja viabilizado. Se a meta não for atingida, o projeto não prossegue por esta via e todo o dinheiro arrecadado é devolvido aos investidores. Nas iniciativas de interesse público (como por exemplo num negócio de caráter social), os investidores podem não receber um retorno do investimento, contribuindo apenas como doadores.

Entre as principais plataformas de crowdfunding atualmente existentes em Portugal encontram-se a PPL Crowdfunding Portugal e a Massive mov Crowdfunding. Estas plataformas são generalistas, não estando focadas em nenhum sector ou área de atividade. A nível internacional, no entanto, existem diversas plataformas de crowdfunding especializadas no sector agrícola e agroalimentar (para mais informações ver Foodtechconnect)

Microcrédito

O microcrédito é um pequeno empréstimo que tem normalmente como objetivo apoiar empreendedores que não têm acesso a um crédito bancário normal, mas que possuem uma ideia de negócio viável e pretendem concretizá-la (Associação Nacional de Direito ao Crédito - ANDC).

Para ser considerado microcrédito, o financiamento deverá ser de pequeno valor e estar direcionado para um público restrito (que não tem acesso às formas convencionais de crédito). Em muitos casos, esta forma de financiamento é dirigida ao que se pode designar como “microempreendedores” informais.

Segundo Edgar Sousa, da Associação do Microcrédito, os pedidos de microcrédito para o sector agrícola têm aumentado de ano para ano, nomeadamente em projetos de agricultura biológica ou na apicultura, mas poderiam crescer ainda mais se houvesse um maior conhecimento de que esta alternativa está disponível (in Rádio Renascença 2013).

Business Angels

Segundo o Business Angels Club, os Business Angels são investidores individuais que investem diretamente, ou através de sociedades veículo, no capital de empresas com potencial de crescimento e valorização.

Estes investidores não só aportam o investimento em capital necessário para o desenvolvimento do negócio, como apoiam os empreendedores com conhecimentos técnicos, de gestão e no recursos às suas redes de contactos. Neste sentido, são muito mais do que simples investidores, podendo ser encarados como verdadeiros parceiros de negócio. Outra característica importante é que investem, por regra, numa lógica de longo prazo, estando preparados para dar suporte estratégico aos promotores durante as várias fases de desenvolvimento da empresa, ajudando assim a que os investimentos tenham êxito (EBAN).

De acordo com a Invicta Angels, o objetivo do Business Angel é a valorização das startups, adquirindo uma participação no capital social durante um determinado período e assegurando suporte financeiro à implementação e crescimento do projeto. Este suporte financeiro pode ser feito, em fases mais avançadas do desenvolvimento das empresas, recorrendo a outras fontes de financiamento (como o Capital de Risco), e o Business Angel pode ter também aqui um papel importante. O objetivo destes investidores é a venda da sua participação nas empresas a longo prazo e com uma mais-valia, mas assumindo o risco do negócio nos mesmos termos que os próprios promotores.

Jack Lang, um dos mais conhecidos empreendedores e Business Angel da Europa, defende que a solução para ultrapassar os tempos difíceis que se vivem atualmente, com a crise económica mundial, é investir na agricultura. De acordo com este investidor, “mesmo em épocas más, as pessoas têm de comer”, por isso existem sempre negócios na agricultura que não são afetados pelas crises (in Revista Invest 2009).

Capital de Risco

Segundo o Guia Prático do Capital de Risco (IAPMEI, 2006), o Capital de Risco pode ser definido como uma forma de investimento empresarial que existe com o objetivo de financiar empresas e apoiar o seu desenvolvimento e crescimento, com fortes reflexos na gestão.

Este modelo de financiamento é também definido como uma forma de investimento que se caracteriza pela existência de um investidor profissional - “aquele que investe em empresas com elevado potencial de crescimento, através da aquisição de participações no capital social, geralmente minoritárias, e sobre valores mobiliários não cotados em mercados organizados, com a expectativa de obter dentro de um horizonte de curto ou médio prazo mais-valias decorrentes do seu investimento.”

O Capital de Risco tem assim, por regra, o objetivo de financiar pequenas empresas em início de atividade, ou empresas em transformação ou expansão, apoiando o seu desenvolvimento e crescimento. A finalidade última é, necessariamente, o sucesso empresarial das empresas e o retorno do investimento, mas sempre numa lógica de partilha de risco com os promotores.

Este tipo de financiamento tem sido pouco explorado pelos empresários e empreendedores do sector agrícola. Segundo Francisco Banha da FNABA, no seu artigo “O Capital de Risco e o Jovem Agricultor”, é necessário que os jovens agricultores estejam alinhados com o modus operandi deste tipo de investidores para conseguirem captar financiamento através de Capital de Risco: “recomendamos que os jovens agricultores recorram ao apoio de profissionais - nomeadamente na elaboração de um Business Plan adequado - com vista à obtenção de uma estratégia adequada de abordagem aos investidores, sob pena de enfrentarem dificuldades enormes em transpor as diversas etapas que conduzam à obtenção dos fundos necessários à dinamização dos seus projetos empresariais.”

Outras fontes de financiamento

Além das fontes de financiamento referidas acima, que são as mais comuns quando se inicia um novo negócio, existem muitas outras formas das empresas se financiarem com capitais privados, incluindo (entre outros) os empréstimos (bancários ou outros), a venda de ativos, a emissão de ações ou obrigações, ou até o recurso a fundos de maneio positivos (quando é possível fazer despesas depois de ter as receitas, ou ter prazos de recebimento inferiores aos prazos de pagamento).

Uma das formas mais interessantes de conseguir financiamento, nomeadamente quando se pretende acelerar o crescimento de um negócio, é conseguir um parceiro investidor que potencie de alguma forma a atividade da empresa (por exemplo, um parceiro comercial que potencie a internacionalização da empresa). Foi justamente este o caso da Italagro, a empresa que fornece o ketchup para a McDonald’s.

Na prática com...
Italagro

A Italgro, em 2007, conseguiu que os principais clientes da empresa (um grupo internacional de referência) investissem na sua aquisição, criando o grupo HIT (Holding da Indústria do Tomate).

Financiamento público

São diversos os financiamentos públicos, de apoio à inovação ou de incentivo ao investimento, que os empreendedores e os empresários agrícolas e/ou agroalimentares têm ao seu dispor.

Este tipo de financiamento pode ser de âmbito regional, nacional ou internacional, sendo que as candidaturas poderão ser individuais ou em copromoção. Todas as linhas de financiamento referidas abaixo são alinhadas com a Estratégia Europa 2020 e/ou com a Estratégia de Investigação e Inovação de Portugal para uma Especialização Inteligente.

Financiamento público europeu

Estratégia Europa 2020

A União Europeia (UE) definiu, para o 8º Quadro Comunitário (2014-2020), uma estratégia que pretende transformar a Europa numa economia inteligente, sustentável e inclusiva, designando-a de Estratégia Europa 2020

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Foram incluídas três prioridades nesta estratégia:

  • Crescimento inteligente – desenvolvimento de uma economia baseada no conhecimento e na inovação;
  • Crescimento sustentável – promoção de uma economia mais eficiente em termos de recursos, mais ecológica e mais competitiva;
  • Crescimento inclusivo – favorecimento de uma economia com níveis elevados de emprego, que assegura a coesão económica, social e territorial.

Entre as sete iniciativas emblemáticas que foram definidas como consequência destas três prioridades, aquela que se destaca no âmbito deste Guia é a iniciativa “União da Inovação”. Esta iniciativa tem como objetivo reorientar a política de I&D e inovação a nível europeu para os desafios que a sociedade atualmente enfrenta, tais como as alterações climáticas, a eficiência energética e de utilização de recursos, a saúde e a evolução demográfica, reforçando cada elo da cadeia de inovação, desde a investigação fundamental até à comercialização.

Política Agrícola Comum (PAC) 2014-2020

Durante os últimos anos, a UE também tem vindo a sofrer profundas mudanças de contexto ao nível do sector agrícola. Apesar de a produtividade agrícola ter vindo a aumentar substancialmente, estes ganhos têm ocorrido, pelo menos em parte, associados a fortes pressões sobre os recursos naturais e o ambiente. Além disso, a procura mundial de alimentos continua a aumentar de forma pronunciada, prevendo-se que até 2050 este aumento seja de cerca de 70% em relação aos valores atuais. Se este aumento for conseguido pelas mesmas vias que têm sido utilizadas, os recursos naturais e o ambiente continuarão a ser prejudicados, e em certos contextos de forma irreversível. Este desafio abarca toda a cadeia alimentar, desde a produção primária ao consumidor.

No contexto do 8º Quadro Comunitário, a agricultura e as zonas rurais foram também chamadas a intensificar os esforços para cumprir os ambiciosos objetivos a nível climático, energético e de biodiversidade que fazem parte da Estratégia Europa 2020. Houve assim a necessidade de efetuar uma reforma substancial da Política Agrícola Comum (PAC 2014-2020), com vista a promover uma produção alimentar viável, uma gestão sustentável dos recursos naturais e da ação climática e um desenvolvimento territorial equilibrado, contribuindo ativamente para atingir os objetivos de crescimento inteligente, sustentável e inclusivo, definidos na Estratégia Europa 2020.

A Parceria Europeia de Inovação para a Produtividade e Sustentabilidade Agrícolas (PEI-Agri)

Com a iniciativa emblemática “União da Inovação”, a Comunidade Europeia visa melhorar a competitividade europeia e resolver desafios sociais através do investimento e da inovação. Uma forma de alcançar estes objetivos é através de um programa que passa pela criação de Parcerias Europeias de Inovação.

A UE criou, assim, cinco Parcerias Europeias de Inovação, uma das quais é a Parceria Europeia de Inovação para a Produtividade e Sustentabilidade Agrícolas (PEI-Agri).

A PEI-Agri, lançada em 2012, nasceu para fomentar a competitividade e a sustentabilidade da agricultura e da silvicultura, tendo por base a investigação, a transferência de tecnologia e a inovação, de modo a ajudar a construir um sector primário concorrencial e capaz de garantir a disponibilidade de alimentos a nível mundial. O objetivo da PEI-Agri passa ainda pela promoção da diversidade dos produtos e da produção, pela gestão eficiente dos recursos naturais, pela defesa da biodiversidade, pela redução da emissão de gases com efeito de estufa, pela garantia de fornecimento de matérias-primas para fins alimentares e outros fins, e por uma melhor distribuição do valor acrescentado ao longo da cadeia alimentar.

A implementação da PEI-Agri passa, por sua vez, pela criação de pontes bem sucedidas entre a investigação e a tecnologia e as partes interessadas na utilização do conhecimento, nomeadamente agricultores, empresas, indústrias, associações, serviços de consultoria e ONGs. Pretende-se deste modo contribuir de forma ativa para traduzir os resultados da investigação em inovações efetivas, acelerar a implantação das inovações no terreno, fazer chegar, sistematicamente, ao meio científico as necessidades de investigação sentidas na prática, melhorar o intercâmbio de conhecimentos e intensificar a sensibilização para a necessidade de esforços conjuntos de investimento em inovação sustentável.

Em termos operacionais, a PEI-Agri integra dois níveis de atuação:

  • A nível regional ou nacional, através da criação de Grupos Operacionais, que são constituídos e financiados pelo(s) Programa(s) de Desenvolvimento Rural em cada Estado Membro;
  • A nível europeu, através da criação de iniciativas ou projetos de inovação multinacionais (envolvendo agentes de mais do que um Estado Membro), financiados através dos Desafios Societais do Horizonte 2020.

Para apoiar a operacionalização da PEI-Agri, foi criado um “Service Point”, que disponibiliza diversos serviços, nomeadamente:

  • Um helpdesk, para responder a todas as questões que surjam sobre a PEI-Agri;
  • Focus Groups – grupos temporários de especialistas selecionados a nível europeu, dispostos (sem contrapartidas financeiras) a envolver-se na partilha de conhecimento e na promoção de soluções práticas inovadoras para enfrentar os principais desafios nas suas áreas de especialidade;
  • Organização de eventos internacionais da PEI-Agri;
  • Um Meeting Point (virtual) – onde as pessoas podem partilhar entre si ideias e recursos para fomentar a inovação na agricultura;
  • Publicações sobre inovação no sector (entre outras).

O ponto de contacto da PEI-Agri em Portugal é a Rede Rural Nacional.

Os Desafios Societais do Horizonte 2020

O Horizonte 2020 é o programa de Investigação e Inovação do 8º Quadro Comunitário (2014-2020), tendo uma dotação orçamental, para os sete anos, de cerca de 80.000 milhões de euros. O programa reflete a ambição europeia de gerar ideias, crescimento e emprego para o futuro, sendo o instrumento-chave para a implementação da iniciativa emblemática “União da Inovação” e para o cumprimento dos compromissos nela assumidos.

O Horizonte 2020 concentra os seus recursos em três prioridades distintas, mas que se reforçam mutuamente: Excelência Científica, Liderança Industrial e Desafios Societais. Nesta última prioridade - Desafios Societais, os agentes económicos do sector agrícola e agroalimentar têm enquadramento em várias das prioridades, através de diferentes mecanismos de financiamento. É no entanto no Desafio Societal 2 “Segurança alimentar, agricultura sustentável, investigação marinha e marítima e bioeconomia” que as PMEs do sector encontram as maiores oportunidades, dedicadas à inovação colaborativa no sector agrícola e agroalimentar. Em termos operacionais, o Desafio Societal 2 funciona através de programas de trabalho (work programs) bienais, que têm como objetivo genérico garantir um abastecimento suficiente de alimentos seguros e de alta qualidade e de outros produtos de base biológica através do desenvolvimento de sistemas de produção primária produtivos e eficientes.

Muitos dos tópicos enquadrados no Desafio Societal 2 obrigam à utilização de abordagens multi-ator (multi-actor approaches), isto é, obrigam a que os consórcios dos projetos envolvam parceiros com tipos de conhecimento (científico ou prático) complementares que, no seu conjunto, colaborem ativamente no plano de trabalho para resolver um determinado problema. Por exemplo, se o objetivo do projeto for desenvolver uma ferramenta que permita otimizar a gestão hídrica de uma determinada cultura ou grupo de culturas a nível europeu, podem ser envolvidos no consórcio agricultores de diferentes regiões ou que utilizam métodos de produção diferentes, consultores agrícolas que apoiam esses agricultores, empresas que desenvolvam sistemas de rega, investigadores, associações ou organizações de produtores que possam depois disseminar os resultados para outros agricultores, entidades da administração local ou regional, etc.

Existem também oportunidades para a inovação colaborativa no sector agrícola enquadradas noutros Desafios Societais do Horizonte 2020, como por exemplo no Desafio Societal 5 – Ação climática, ambiente, eficiência de recursos e matérias-primas, cujos princípios de funcionamento são idênticos aos descritos para o Desafio Societal 2.

Importa ainda referir os tópicos enquadrados naquilo que a UE define como atividades transversais (cross-cutting activities), que têm por objetivo utilizar tecnologias transversais para responder a diversos Desafios Societais. Os três tópicos (potencialmente) a considerar são:

  • “Industry 2020 in the Circular Economy”
  • “Internet of Things”
  • “Smart and Sustainable Cities”

Os Desafios Societais do Horizonte 2020 são mecanismos de financiamento extremamente competitivos, que visam a colaboração entre agentes de inovação de diversos Estados Membros. Por esta razão, a preparação de um projeto com este enquadramento é sempre um processo complexo e exigente. Se um empreendedor estiver a ponderar participar num projeto enquadrado num dos tópicos acima referidos deverá, assim, ter em conta as seguintes recomendações:

  • A rede de contactos a nível europeu é fundamental para ajudar a identificar os principais atores e potenciais parceiros a envolver, ou com quem trabalhar, num projeto europeu. Muitas vezes há necessidade de investir, antecipadamente, nesta rede de contactos, seja através da participação em eventos a nível europeu, seja através do estabelecimento de contactos diretos. Isto tem geralmente que ser feito durante um período de tempo alargado, até que surja uma oportunidade de participação num projeto europeu. No entanto, é um investimento que costuma compensar a médio prazo;
  • É fundamental ler com muita atenção os documentos sobre o tópico a que se vai concorrer, e nomeadamente o texto de introdução, uma vez que este texto geralmente contém informações chave necessárias à preparação do projeto;
  • Assim que surge a oportunidade para iniciar (ou integrar) um projeto, deve-se começar a trabalhar na preparação da candidatura e na constituição (ou consolidação) do consórcio. Isto deve ser feito o mais cedo possível;
  • Por norma, não existe um número mínimo nem um número máximo indicativo de parceiros, dependendo do tamanho do consórcio e do tipo de projeto que se pretende desenvolver; no entanto, a qualidade do consórcio é um ponto crítico para o sucesso do projeto, sendo fundamental que o consórcio inclua os atores-chave necessários para pôr em prática o plano de ação e que a relevância e o papel de cada um deles esteja claramente definido;
  • É fundamental ter em consideração e responder a todos os critérios de avaliação de uma candidatura, em particular o do impacto do projeto;
  • Em caso de dúvida (mesmo que pareça insignificante) deve recorrer-se ao Ponto de Contacto Nacional (NCP – National Contact Point) para o Horizonte 2020, sediado no Gabinete de Promoção do Programa Quadro de I&DT (GPPQ).
Financiamento europeu para as PMEs

A Agência de Execução para as Pequenas e Médias Empresas (EASME) foi criada pela Comissão Europeia para gerir diversos programas europeus, sendo aqui destacados alguns programas de apoio a PMEs que poderão ter interesse para as empresas do sector agrícola ou agroalimentar.

SME Instrument

O SME Instrument é um mecanismo de financiamento do Horizonte 2020 dedicado exclusivamente às PMEs, com um orçamento global de cerca de 2.500 milhões de euros. Este mecanismo tem como objetivo apoiar PMEs inovadoras com elevado potencial de crescimento, com ambições globais e ideias disruptivas no mercado, e acelerar a introdução de produtos, serviços ou tecnologias com elevado potencial de mercado, contribuindo para a competitividade e para o crescimento económico da Europa.

O SME Instrument financia PMEs com níveis de maturidade tecnológica (TRL – technology readiness level) superiores a 6 (excluindo assim a grande maioria das PMEs!), enquadradas nas prioridades dos “Desafios Societais” ou nos objetivos da “Liderança Industrial”. O programa está dividido em três fases:

  • Fase 1: Análise do conceito e viabilidade - permite desenvolver o conceito da ideia de negócio e iniciar a estruturação do plano de negócios, através de um montante fixo de financiamento de 50.000€ para 6 meses;
  • Fase 2: Do conceito ao mercado – permite à PMEs continuar a desenvolver a sua proposta por meio de atividades de inovação (tais como testes de demonstração, prototipagem, aumento de escala, miniaturização), com um orçamento de 500.000€ até 3 M€ para projetos de 1-2 anos, com uma taxa de cofinanciamento de 70% a 100%. A PMEs deve simultaneamente ir desenvolvendo o seu plano de negócios;
  • Fase 3: Comercialização - sem financiamento direto, mas com acesso a serviços de mentoria, capacitação e apoio a financiamento de capital de risco.

É recomendável que as empresas se candidatem à Fase 1 do SME Instrument, embora se possam candidatar diretamente a uma das fases subsequentes.

O Ponto de Contacto Nacional para este instrumento é o Gabinete de Promoção do Programa Quadro de I&DT (GPPQ).

COSME

O programa COSME tem por objetivo promover a Competitividade das Pequenas e Médias Empresas. Com uma dotação orçamental de 2.300 milhões de euros, é um programa novo e que foi concebido especificamente para apoiar as PMEs. O COSME visa melhorar o acesso das empresas ao financiamento e aos mercados, apoiando os empresários e promovendo condições mais favoráveis para a criação e o crescimento de empresas. O programa utiliza dois instrumentos financeiros distintos:

  • Mecanismo de garantia de empréstimos;
  • Mecanismo de capital próprio para o crescimento.

O sítio web Acesso ao financiamento (da UE) ajuda a encontrar financiamento para diferentes tipos de projetos, negócios e empresas, tais como empréstimos, garantias, e muitos outros.

Sendo os programas e as medidas de financiamento europeu para as PMEs bastante diversas e por vezes complexas, é importante explorar bem a informação da UE que está disponível na Internet (que é muito detalhada), e sempre que necessário recorrer às estruturas nacionais de suporte, que estão por regra muito disponíveis para apoiar os empreendedores.

Fast Track to Innovation (FTI) Pilot

O FTI Pilot é um instrumento do Horizonte 2020 com uma abordagem bottom-up que promove atividades de inovação colaborativa “próximas do mercado”, sendo aberto a todo o tipo de participantes. O FTI Pilot tem como objetivo reduzir o tempo desde a ideia até ao mercado e aumentar a participação no Horizonte 2020 das empresas, em particular das estreantes nos mecanismos europeus de financiamento. A dotação orçamental para o biénio 2015-2016 é de 200 milhões de euros, mais uma vez para projetos enquadrados nas prioridades dos “Desafios Societais” ou nos objetivos da “Liderança Industrial”.

Os projetos têm que ser promovidos por consórcios com 3 a 5 parceiros, estabelecidos em pelo menos 3 países da União Europeia ou países associados do Horizonte 2020.

O programa é implementado através de uma chamada comum e continuamente aberta, o que significa que as propostas podem ser apresentadas em qualquer altura. As propostas são avaliadas e as decisões de financiamento tomadas três vezes por ano.

O Ponto de Contacto Nacional para este instrumento é o Gabinete de Promoção do Programa Quadro de I&DT (GPPQ).

EUROSTARS

O Eurostars, com uma dotação orçamental de 1.140 milhões de euros, é um programa conjunto suportado por 33 países que estão envolvidos na rede EUREKA. O seu objetivo é apoiar o desenvolvimento de projetos internacionais inovadores, liderados por pequenas e médias empresas. O programa foi desenvolvido para responder a necessidades específicas das PMEs, apoiando-as no desenvolvimento de produtos, processos ou serviços inovadores e rapidamente comercializáveis, que ajudem a melhorar o dia-a-dia de pessoas por todo o mundo.

O Eurostars é um primeiro passo ideal na cooperação internacional, permitindo que as PMEs combinem e partilhem conhecimentos e beneficiem do trabalho de outras empresas para além das fronteiras nacionais.

O programa funciona através de dois prazos de candidatura anuais. Na página de Portugal do programa é possível encontrar mais informações, bem como os contactos do National Project Coordinator.

Erasmus para Jovens Empreendedores

O Erasmus para Jovens Empreendedores é um programa transfronteiriço que dá aos novos empreendedores, ou aos que pretendem sê-lo, a oportunidade de adquirirem conhecimentos, para gerirem os seus negócios, junto de empreendedores experientes, num outro país participante no programa.

A troca de experiências ocorre durante a estadia com o empreendedor experiente, permitindo que o novo empreendedor adquira competências específicas necessárias para gerir a sua empresa. O empreendedor de acolhimento beneficia de novas perspetivas sobre o seu negócio (acolhendo um empreendedor que tem, ou vai ter, um negócio inovador) e tem a oportunidade de cooperar com parceiros estrangeiros ou adquirir conhecimentos sobre novos mercados. A estadia é parcialmente financiada pela União Europeia. Quer seja um novo empreendedor ou um empreendedor experiente, o programa poderá fornecer um forte valor acrescentado ao negócio, através da troca de experiências, das oportunidades de trabalho em rede na Europa, e da criação de novas relações comerciais no exterior.

Para participar no programa, o empreendedor deverá escolher um ponto de contacto local que opere na sua região ou país de residência. Estas entidades são selecionadas pela Comissão Europeia e guiá-lo-ão durante o seu período de intercâmbio: ajudá-lo-ão na candidatura e no estabelecimento de uma relação de sucesso com um empreendedor adequado e dar-lhe-ão resposta a todas as suas questões.

Financiamento público nacional

Seguindo os princípios definidos na Estratégia Europa 2020, Portugal definiu também uma Estratégia nacional de investigação e inovação para a especialização inteligente, de forma a enquadrar a afetação dos Fundos Estruturais integrados no período de programação 2014-2020. Foi assim estruturado o Acordo de Parceria entre Portugal e a Comissão Europeia, onde está definida a atuação dos cinco Fundos Europeus Estruturais e de Investimento – FEDER (Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional), Fundo de Coesão, FSE (Fundo Social Europeu), FEADER (Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural) e FEAMP (Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos e das Pescas).

O Acordo de Parceria operacionalizou-se depois através do programa Portugal 2020. Os princípios de programação do Portugal 2020 estão, deste modo, alinhados com os princípios do crescimento inteligente, sustentável e inclusivo definidos pela Estratégia Europa 2020.

Até 2020, está previsto que Portugal receba 25 mil milhões de euros neste âmbito. Este investimento é concretizado através de 16 Programas Operacionais, sendo que neste Guia apenas se irão destacar os que poderão ser de maior relevância para o sector agrícola e agroalimentar: o Programa de Desenvolvimento Rural no Continente (PDR 2020) e Programa Operacional Competitividade e Internacionalização (COMPETE 2020).

Existem muitos e bons exemplos de jovens empreendedores, no sector agrícola e agroalimentar, que obtiveram já financiamentos no âmbito do PDR 2020 e do COMPETE 2020 (na medida de apoio aos Jovens Agricultores, por exemplo, são já milhares os projetos candidatados). Muitos destes financiamentos são essenciais para iniciar os novos negócios e permitir que estes ultrapassem as primeiras fases de vida.

Um minuto com...
António Maçanita

António Maçanita - fundador da Fita Preta - é o exemplo de um empreendedor, cuja empresa está sediada na INOVISA e que vimos crescer e vingar, de uma forma exemplar, no competitivo mercado dos vinhos.

PDR2020

A superfície agrícola de Portugal constitui cerca de 47% do território nacional (Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Local (GPP)). Os dados disponíveis neste documento do GPP mostram, também, que a população das zonas rurais tem vindo a diminuir, bem como o número de explorações e o emprego gerado pelo sector. Apesar disto, a evolução do sector agrícola e agroalimentar nos últimos anos tem sido muito positiva, com algumas empresas a desenvolverem competências (e produtos) capazes de competir nos mercados internacionais e com as exportações a crescerem sistematicamente acima dos 5% ao ano (nalguns sectores, como o das frutas e legumes, o aumento das exportações foi de quase 10%/ano nos últimos anos!).

A visão estratégica de Portugal para os próximos anos (2014-2020) tem em conta este cenário macro do sector, com realidades muitos distintas nos pequenos agricultores familiares e nos médios e grandes produtores qualificados. Comtempla assim os seguintes objetivos estratégicos (GPP, 2015):

  • Crescimento do valor acrescentado do sector agroflorestal e rentabilidade económica da agricultura;
  • Promoção de uma gestão eficiente e proteção dos recursos;
  • Criação de condições para a dinamização económica e social do espaço rural.

O PDR2020 aborda estes objetivos disponibilizando diversos tipos de financiamento, de que falaremos de seguida, ao investimento e à inovação, com vista ao desenvolvimento agrícola e rural de Portugal Continental (os Açores e a Madeira têm programas próprios – o Prorural+ e o Proderam2020).

Medida 1. Inovação – Operação 1.0.1 Grupos Operacionais

Como foi referido, a operacionalização da PEI-Agri acontece, a nível regional ou nacional, através dos Grupos Operacionais. A Medida 1. Inovação do PDR 2020 tem como objetivo promover a criação e o funcionamento de Grupos Operacionais.

Um Grupo Operacional deve ser constituído por um consórcio multi-ator, que inclua pelo menos uma PMEs, uma associação privada e uma entidade do sistema científico e tecnológico, e que desenvolva em colaboração um plano de ação para realizar um projeto de inovação.

Estes projetos de inovação devem responder a problemas concretos ou oportunidades práticas identificadas no terreno (uma necessidade) e contribuir para atingir os objetivos e as prioridades do PDR 2020, nas áreas temáticas consideradas prioritárias, tendo em vista a produtividade e sustentabilidade agrícolas (para mais informação ver o sítio web GPP).

A demonstração e disseminação dos resultados que venham a ser obtidos pelos Grupos Operacionais é fundamental para garantir o acesso à informação e a transferência de conhecimento e tecnologia, promovendo a inovação no sector agrícola e agroalimentar. A Rede INOVAR (uma rede nacional de promoção da inovação dedicada aos sectores agrícola, alimentar e florestal) tem ajudado os Grupos Operacionais a definir iniciativas de demonstração e disseminação dos resultados e a valorizar a inovação e as competências de I&D&I das entidades envolvidas nos consórcios. Esta atividade da Rede INOVAR tem sido desenvolvida tanto a nível nacional como internacional, promovendo a articulação com outras redes e agentes de inovação da União Europeia (indo assim ao encontro das prioridades definidas pela PEI-Agri).

Com uma área inteiramente dedicada à inovação, a Rede Rural Nacional é a entidade pública responsável pela dinamização dos Grupos Operacionais (e da respectiva Bolsa de Iniciativas), associando-se a diversos agentes no terreno, entre os quais a Rede INOVAR, para garantir uma divulgação e disseminação efetiva dos resultados destes projetos.

Jovens Agricultores – Operação 3.1.1 (Portaria n.º 31/2015 de 12 de fevereiro)

O prémio à primeira instalação tem como objetivos:

  • Fomentar a renovação e o rejuvenescimento das empresas agrícolas;
  • Aumentar a atratividade do sector agrícola aos jovens investidores, promovendo o investimento, o apoio à aquisição de terras, a transferência de conhecimentos e a participação no mercado.

Uma vez que este apoio se destina a jovens agricultores, é necessário o cumprimento de algumas regras para ser possível apresentar uma candidatura neste âmbito, que incluem, entre outras, as seguintes: ter idade compreendida entre os 18 e os 40 anos (inclusive), estar a instalar-se pela primeira vez numa exploração agrícola, e estar inscrito no IFAP.

A candidatura do jovem agricultor deverá incluir um investimento total mínimo de 55 mil euros (por jovem agricultor, a efetuar após apresentação da candidatura), ter coerência técnica, económica e financeira, prever um plano empresarial com duração mínima de cinco anos, apresentar um valor de produção (anual, em ano de cruzeiro) igual ou superior a 8 mil euros, e ter um investimento igual ou inferior a 1,5 milhões de euros (por sociedade).

O prémio à primeira instalação é atribuído sob forma de subvenção não reembolsável no valor de 15 mil euros, podendo ser majorado em 25%, 50% ou 75%, consoante o valor do investimento seja superior a 80 mil euros, 100 mil euros, ou 140 mil euros, respetivamente.

Uma vez que se trata apenas de um prémio, os jovens agricultores podem ainda recorrer às medidas de apoio ao investimento para a implementação dos seus projetos, que de seguida se descrevem.

Esta medida tem sido emblemática nos últimos quadros comunitários de apoio e espera-se que continue a sê-lo no atual quadro. O ProDeR (antecessor do atual PDR 2020) aprovou cerca de 9.000 novos projetos de Jovens Agricultores! O “rejuvenescimento do sector agrícola e florestal é, de fato, crucial, particularmente tendo em conta a atual situação de falta de saídas profissionais para os mais jovens e a necessidade de relançar o investimento, e como forma de contrariar o envelhecimento no sector” (in Revista AJAP n.º95; Francisco Gomes da Silva).

Investimento na exploração agrícola – Ação 3.2

1. Investimento na Exploração Agrícola – Operação 3.2.1 (Portaria n.º230/2014)

Segundo a portaria que regulamenta esta operação, os apoios previstos possuem os seguintes objetivos:

  • Reforçar a viabilidade e a competitividade das explorações agrícolas, promovendo a inovação, a formação, a capacitação organizacional e o redimensionamento das empresas;
  • Preservar e melhorar o ambiente, assegurando a compatibilidade dos investimentos com as normas ambientais e de higiene e segurança no trabalho.

Os candidatos a estes apoios devem ser titulares de uma exploração agrícola, ter um sistema de contabilidade organizada e estar legalmente constituídos (no caso de se tratar de uma pessoa coletiva).

Os projetos propostos devem ter investimentos elegíveis de valor superior a 25 mil euros, apresentar viabilidade económica e financeira e evidenciar coerência técnica, económica e financeira.

A taxa base de apoio é de 30% do montante de investimento elegível. Esta percentagem pode ser majorada até ao limite de 50% para regiões menos desenvolvidas ou com condicionantes naturais ou específicas, ou até 40% para as restantes zonas.

2. Pequenos investimentos nas Explorações Agrícolas – Operação 3.2.2 (Portaria n.º107/2015)

Este apoio diferencia-se do anterior pelo valor do investimento e pelos objetivos, que neste caso incluem:

  • Melhorar as condições de vida, de trabalho e de produção dos agricultores;
  • Contribuir para o processo de modernização e capacitação das empresas no sector agrícola e da transformação e comercialização de produtos agrícolas.

Tal como na operação anterior, os candidatos a este apoio devem ser titulares da exploração agrícola, ter um sistema de contabilidade organizada e estar legalmente constituídos (no caso de se tratar de uma pessoa coletiva).

Os investimentos apoiados podem incluir edifícios e construções (desde que diretamente ligados às atividades agrícolas a desenvolver), preparação de terrenos, plantações plurianuais, sistema de rega e/ou máquinas e equipamentos.

O limite máximo de apoio concedido é de 25 mil euros, sendo a percentagem de apoio de 50% se a exploração estiver localizada em zonas menos desenvolvidas e com condicionantes naturais, ou 40% se a localização da exploração for nas restantes zonas de Portugal Continental.

Os programas de apoio ao investimento nas explorações agrícolas também têm tido, ao longo dos últimos anos, resultados muito relevantes. Só no ProDeR, foram financiados cerca de 34 mil projetos de investimento. Segundo a publicação Investimento PRODER: Prova de Força, este programa permitiu investimentos nas mais diversas áreas, que se potenciam e complementam, no quadro de uma estratégia global de desenvolvimento do sector. Os 3,4 mil milhões de euros investidos no âmbito deste programa distribuem-se de forma aproximadamente equitativa entre as vertentes agrícola e agroindustrial, evidenciando, na maioria dos casos, uma forte ligação entre as duas componentes da fileira. O sector hortofrutícola representam a maior fatia deste investimento, com destaque para as frutas. Segue-se a pecuária, com destaque para o sector avícola e os sectores do vinho e do azeite.

Investimentos na transformação e comercialização de produtos agrícolas – Ação 3.3

1. Investimentos na Transformação e Comercialização de Produtos Agrícolas – Operação 3.3.1 (Portaria n.º230/2014)

Os objetivos desta ação, segundo a portaria que a regulamenta, são:

  • Promover a expansão e a renovação da estrutura produtiva agroindustrial, potenciando a criação de valor, a inovação, a qualidade e segurança dos alimentos, a produção de bens transacionáveis e a internacionalização do sector;
  • Preservar e melhorar o ambiente, assegurando a compatibilidade dos investimentos com as normas ambientais e de higiene e segurança no trabalho.

O candidato a este tipo de apoio deve dedicar-se à transformação ou comercialização de produtos agrícolas, estar legalmente constituído (caso se trate de pessoa coletiva), possuir uma autonomia financeira pré-projeto mínima de 20% ou 25%, dependendo, respetivamente, se o beneficiário já desenvolve, ou não, atividade à data da candidatura, e ter um sistema de contabilidade organizada.

O projeto deverá ter como objetivo a transformação de produtos agrícolas e/ou a sua comercialização. Os investimentos terão de ser superiores a 200 mil euros e inferiores a 4 milhões de euros (se forem superiores passam a ter enquadramento no Compete 2020), deverão apresentar viabilidade económica e financeira, e deverão evidenciar coerência técnica, económica e financeira.

A taxa base do nível de apoio é de 35% sobre o montante de investimento elegível para regiões menos desenvolvidas e 25% para as restantes zonas.

2. Pequenos investimentos na transformação e comercialização de produtos agrícolas – Operação 3.3.2 (Portaria n.º107/2015)

O candidato a esta medida deverá ter um sistema de contabilidade organizada, estar legalmente constituído (caso se trate de pessoa coletiva) e possuir autonomia financeira pré-projecto igual ou superior a 20%, devendo o indicador utilizado ter por base o exercício anterior ao ano da apresentação da candidatura.

O projeto deve ter como objetivo a primeira transformação de produtos agrícolas e/ou a sua comercialização e deve incluir investimentos elegíveis de valor igual ou superior a 10 mil euros e inferior ou igual a 200 mil euros, ter coerência técnica, económica e financeira, e evidenciar viabilidade económica e financeira.

As percentagens de apoio podem ser de 45% para zonas menos de desenvolvidas e com condicionantes naturais, ou 35% para as restantes zonas de Portugal Continental.

COMPETE 2020

O Programa Operacional Competitividade e Internacionalização (COMPETE 2020) foi desenhado em linha com as principais orientações estratégicas nacionais e europeias, mobilizando os Fundos Estruturais e de Investimento para o período 2014-2020.

Este programa tem como objetivo principal contribuir para a criação de uma economia mais competitiva, baseada em atividades intensivas em conhecimento e na aposta em bens e serviços transacionáveis ou internacionalizáveis.

O COMPETE 2020 foi estruturado em seis eixos prioritários, que têm por base os Objetivos Temáticos (OT) estabelecidos no quadro regulamentar dos Fundos Estruturais e de Investimento (FFEI), que por sua vez estão devidamente alinhados com a Estratégia Europa 2020. Neste Guia apenas se destacam os dois primeiros eixos deste programa, que incluem as medidas que maior interesse podem ter para o sector agrícola e agroalimentar. Ao contrário do PDR 2020, dedicado ao sector agrícola, o COMPETE 2020 não é sectorial, mas sim orientado para todos os sectores de atividade:

  • Eixo I – Reforço da investigação, do desenvolvimento tecnológico e da inovação (OT1). Os objetivos deste eixo passam por aumentar a produção científica orientada para a especialização inteligente, de base tecnológica e de alto valor acrescentado, reforçar a transferência de conhecimento científico e tecnológico para o sector empresarial, aumentar o investimento empresarial em Investigação e Inovação (I&I), reforçando a ligação entre as empresas e as restantes entidades do sistema de I&I, reforçar as redes e outras formas de parceria e cooperação e aumentar o investimento empresarial em atividades inovadoras (produto, processo, métodos organizacionais e marketing).
  • Eixo II – Reforço da competitividade das PMEs, incluindo a redução de custos públicos de contexto (OT3 e OT2). Os objetivos passam por capacitar as empresas para a internacionalização, com vista a promover o aumento das exportações, capacitar as PMEs para o desenvolvimento de bens e serviços, promover o empreendedorismo qualificado e criativo, reduzir custos de contexto e melhorar a eficiência da Administração Pública.

Um dos objetivos mais importantes inscritos no COMPETE 2020 é conseguir aumentar as exportações nacionais através da internacionalização das empresas. Na verdade, um dos critérios de análise das candidaturas nalgumas medidas é o efeito dos projetos na capacidade exportadora da empresa (e nalguns casos as empresas que não cumprirem os resultados a que se propõem podem ter que devolver o dinheiro dos apoios). A AICEP é a entidade pública que apoia os processos de internacionalização das empresas. A entrevista a Miguel Frasquilho, Presidente da AICEP, refere alguns dos fatores críticos de sucesso para as empresas do sector agrícola que queiram internacionalizar-se.

A opinião de...
Miguel Frasquilho

Quais são os fatores críticos de sucesso para as empresas do sector agrícola que queiram internacionalizar-se?

Iniciar o processo de internacionalização via exportações constitui uma aprendizagem poderosa para depois adotar formas de internacionalização mais sofisticadas e arriscadas. A escolha de países geográfica e culturalmente próximos facilita a entrada das empresas pois reduz os custos de entrada e/ou minimiza a necessidade de adaptação dos produtos. A internacionalização pode exigir uma alteração do modelo organizacional dada a maior complexidade da atuação no estrangeiro e a necessidade de adaptação aos condicionalismos resultantes das diferenças dos contextos legais, geográficos, económicos e culturais.

Quais são as entidades que podem apoiar os empreendedores do sector agrícola num processo de internacionalização?

Um dos pilares fundamentais da AICEP é promover a internacionalização das empresas e apoiar a sua atividade exportadora. Através dos seus Gestores de Cliente, das Lojas da Exportação e da sua Rede Comercial Externa – que, em articulação com a rede diplomática e consular assegura presença em cerca de 80 mercados – a AICEP presta serviços de suporte e aconselhamento sobre a melhor forma de abordar os mercados externos, identifica oportunidades de negócios internacionais e acompanha o desenvolvimento de processos de internacionalização das empresas, nomeadamente PME.

Que atividades destacaria no trabalho da AICEP para apoiar os empreendedores do setor agrícola?

A AICEP tem uma atividade muito abrangente nomeadamente através de ações de capacitação das empresas com vista a melhor ultrapassarem as barreiras à internacionalização, também incentivos à investigação e desenvolvimento de novos produtos e incentivos de qualificação e internacionalização e, ainda, missões inversas de investidores para parcerias com empresas portuguesas. É de salientar que a AICEP é um dos parceiros fundadores do programa McDonald's Business Initiative for Agriculture (MBIA).

Quais são os fatores críticos de sucesso para as empresas do sector agrícola que queiram internacionalizar-se?

Quais são as entidades que podem apoiar os empreendedores do sector agrícola num processo de internacionalização?

Que atividades destacaria no trabalho da AICEP para apoiar os empreendedores do setor agrícola?

Iniciar o processo de internacionalização via exportações constitui uma aprendizagem poderosa para depois adotar formas de internacionalização mais sofisticadas e arriscadas. A escolha de países geográfica e culturalmente próximos facilita a entrada das empresas pois reduz os custos de entrada e/ou minimiza a necessidade de adaptação dos produtos. A internacionalização pode exigir uma alteração do modelo organizacional dada a maior complexidade da atuação no estrangeiro e a necessidade de adaptação aos condicionalismos resultantes das diferenças dos contextos legais, geográficos, económicos e culturais.

Um dos pilares fundamentais da AICEP é promover a internacionalização das empresas e apoiar a sua atividade exportadora. Através dos seus Gestores de Cliente, das Lojas da Exportação e da sua Rede Comercial Externa – que, em articulação com a rede diplomática e consular assegura presença em cerca de 80 mercados – a AICEP presta serviços de suporte e aconselhamento sobre a melhor forma de abordar os mercados externos, identifica oportunidades de negócios internacionais e acompanha o desenvolvimento de processos de internacionalização das empresas, nomeadamente PME.

A AICEP tem uma atividade muito abrangente nomeadamente através de ações de capacitação das empresas com vista a melhor ultrapassarem as barreiras à internacionalização, também incentivos à investigação e desenvolvimento de novos produtos e incentivos de qualificação e internacionalização e, ainda, missões inversas de investidores para parcerias com empresas portuguesas. É de salientar que a AICEP é um dos parceiros fundadores do programa McDonald's Business Initiative for Agriculture (MBIA).

Fatores-chave para o financiamento de um novo negócio

A procura de financiamento é uma atividade obrigatória para quem quer iniciar um negócio ou criar uma empresa. Para que esta atividade seja feita da melhor forma possível, o empreendedor deve estruturar bem o caminho a percorrer, aumentando assim a probabilidade de sucesso. Neste capítulo final propomos alguns passos que deverão ser seguidos na procura de financiamento.

Analisar os diferentes tipos de financiamento disponível e eleger o mais adequado

Quando se trata de estruturar um negócio, é importante que sejam analisadas as diferentes alternativas de financiamento, selecionando a que melhor se ajusta aos nossos objetivos.

Por vezes, os promotores caem na tentação de fazer o exercício de forma inversa, começando por analisar o financiamento disponível e idealizando posteriormente um negócio que possa ser financiado nesse determinado montante ou por um qualquer programa de incentivos. Esta abordagem tende a afastar os promotores da estratégia delineada a médio-longo prazo para o seu negócio, pelo que deve ser evitada a todo o custo.

Apresentar e discutir a ideia de negócio com potenciais entidades financiadoras

É importante que a ideia de negócio seja apresentada e discutida com as entidades (e/ou programas) que possam apoiá-la financeiramente. Para tal, os promotores devem estar totalmente inteirados do negócio que pretendem promover e preparados para qualquer dúvida que possa surgir na discussão.

Os promotores devem saber apresentar, de forma muito clara e muito sintética, a sua ideia de negócio. O conceito de Elevator pitch (apresentação de uma ideia de negócio de forma tão sintética que pode ser feita a alguém que encontramos no elevador) é internacionalmente considerado como uma metodologia muito eficaz quando queremos “vender” as nossas ideias a alguém, e pode ser trabalhado com recurso a técnicas amplamente disseminadas. Na verdade, a forma como se apresenta e discute a ideia e o modelo de negócio pode definir o sucesso ou o insucesso da empresa.

A COTEC é um excelente exemplo de como se pode apoiar os empreendedores para terem sucesso na altura de procurarem financiamento. Esta associação, que promove a inovação, tem desenvolvido ao longo dos últimos anos vários programas de apoio ao empreendedorismo em que os promotores trabalham nos seus projetos utilizando metodologias internacionalmente reconhecidas de desenvolvimento dos modelos e dos planos de negócio, acompanhados por mentores e especialistas em várias áreas. Daniel Bessa, Diretor Geral da COTEC, refere na sua entrevista a importância que este tipo de programas pode ter para potenciar o sucesso de uma nova empresa.

A opinião de...
Daniel Bessa

Quais os principais obstáculos que as empresas do sector agrícola podem encontrar quando apostam na inovação?

Não creio que, também em matéria de inovação, as empresas agrícolas sejam muito diferentes das demais. Obstáculos? Os de sempre: escassez de meios (sobretudo financeiros), processos de gestão da inovação menos eficientes, baixos níveis de cooperação (com clientes, com fornecedores, com entidades do sistema científico e tecnológico).

Os empreendedores do sector agrícola devem apostar em programas de aceleração?

Um dos traços característicos da economia portuguesa é o número muito reduzido de empresas de elevados níveis de crescimento (algo que poderemos aspirar a encontrar em PME, dificilmente em empresas de grande dimensão). Não posso, por isso, estar mais de acordo com a importância, e com a necessidade, de todos os programas que tenham por objectivo acelerar o crescimento das empresas agrícolas portuguesas.

Que atividades destacaria no trabalho da COTEC para apoiar os empreendedores do setor agrícola?

Não temos, infelizmente, na COTEC, muitas iniciativas dirigidas aos empresários do setor agrícola. Apoiamos, com a nossa experiência, a MBIA – McDonald’s Business Initiative for Agriculture. Temos à disposição dos empresários do setor o Innovation Scoring – um instrumento de auto-avaliação da capacidade de inovação das empresas; e podemos ajudar a qualificar a sua oferta de produtos aproximando-as dos departamentos de compras e de I&D de grandes empresas compradoras também Associadas da COTEC.

Quais os principais obstáculos que as empresas do sector agrícola podem encontrar quando apostam na inovação?

Os empreendedores do sector agrícola devem apostar em programas de aceleração?

Que atividades destacaria no trabalho da COTEC para apoiar os empreendedores do setor agrícola?

Não creio que, também em matéria de inovação, as empresas agrícolas sejam muito diferentes das demais. Obstáculos? Os de sempre: escassez de meios (sobretudo financeiros), processos de gestão da inovação menos eficientes, baixos níveis de cooperação (com clientes, com fornecedores, com entidades do sistema científico e tecnológico).

Um dos traços característicos da economia portuguesa é o número muito reduzido de empresas de elevados níveis de crescimento (algo que poderemos aspirar a encontrar em PME, dificilmente em empresas de grande dimensão). Não posso, por isso, estar mais de acordo com a importância, e com a necessidade, de todos os programas que tenham por objectivo acelerar o crescimento das empresas agrícolas portuguesas.

Não temos, infelizmente, na COTEC, muitas iniciativas dirigidas aos empresários do setor agrícola. Apoiamos, com a nossa experiência, a MBIA – McDonald’s Business Initiative for Agriculture. Temos à disposição dos empresários do setor o Innovation Scoring – um instrumento de auto-avaliação da capacidade de inovação das empresas; e podemos ajudar a qualificar a sua oferta de produtos aproximando-as dos departamentos de compras e de I&D de grandes empresas compradoras também Associadas da COTEC.

Desenvolver o negócio com recurso a apoio profissional

Em qualquer fase da estruturação de um negócio, desde a sua idealização à sua execução, o apoio profissional é fundamental para garantir o sucesso.

Os programas de apoio ao empreendedorismo e de aceleração de empresas existentes em Portugal são uma oportunidade para o promotor poder estruturar e validar a sua ideia de negócio de forma sólida e com o acompanhamento de peritos e mentores das suas áreas de especialização e em áreas transversais a qualquer negócio. Os espaços de incubação, coworking e prototipagem (os “fablabs”), são também cada vez mais recorrentes em Portugal e possibilitam a concretização do trabalho desenvolvido nestas primeiras fases pelos promotores.

A INOVISA tem feito uma aposta forte no apoio ao empreendedorismo e no desenvolvimento empresarial no sector agrícola e agroalimentar. Para além de gerir espaços de incubação de empresas, tem organizado e participado em várias iniciativas de apoio ao empreendedorismo e está atualmente a potenciar o desenvolvimento de um programa de aceleração internacional (com Espanha e França) focado no sector agrícola e agroalimentar.

O objetivo é não só apoiar empreendedores a estruturar e validar as suas ideias de negócio, através do recurso às metodologias LEAN (referidas no primeiro capítulo) e ao apoio especializado de mentores e peritos, mas também, por via da inovação aberta, potenciar a ligação entre as startups assim criadas e as empresas de maior dimensão do sector agrícola e agroalimentar que apostam na inovação.

Existem ainda outras estruturas de apoio ao empreendedorismo ou incubadoras de empresas, incluindo:

Para negócios de natureza tecnológica, os parques de ciência e tecnologia permitem aos promotores continuar a desenvolver investigação e desenvolvimento tecnológico no âmbito da sua atividade, uma vez que são dotados geralmente de infraestruturas ajustadas a este tipo de necessidades. Estes parques podem ainda disponibilizar equipas com competências ao nível do apoio ao desenvolvimento empresarial.

Para além deste tipo de apoio, e no que respeita à estruturação de projetos de investimento que os promotores de um qualquer negócio possam vir a necessitar (por exemplo, para candidatar ao PDR 2020), o recurso a consultoras especializadas, com experiência no sector, pode ser decisivo para garantir o sucesso do investimento. Cada vez mais, o acesso a financiamento competitivo é garantido pela capacidade de estruturar um projeto que vá claramente ao encontro dos objetivos que o programa de financiamento pretende alcançar, estando as consultoras especializadas alinhadas com a lógica de funcionamento deste tipo de financiamento (e das candidaturas).

Prever uma margem financeira face aos investimentos necessários e ao crescimento do negócio

Nas primeiras fases de vida das empresas, é muito importante que os promotores tenham a capacidade de gerir eficazmente a sua tesouraria e garantir uma margem financeira que lhes permita efetuar os investimentos previstos.

Nos projetos candidatados a financiamento público, esta questão toma particular relevância, uma vez que na sua maioria estes financiamentos não comparticipam a totalidade dos investimentos e os apoios apenas são concedidos após as despesas serem realizadas e efetivamente pagas. Por esta razão, é fundamental que os promotores consigam cobrir a percentagem não financiada dos investimentos e tenham a capacidade de suportar os períodos de carência que antecedem o recebimento dos apoios. Esta precaução é ainda mais importante em negócios que não permitem obter proveitos rapidamente e que tenham longos períodos de carência (por exemplo, num pomar). Nalguns casos, é necessário estimar uma folga financeira superior a 30/40% do investimento para fazer face à carência de entrada de capitais (quando as vendas só ocorrem mais tarde), a potenciais atrasos no projeto, e aos acréscimos de preço que podem ocorrer entre o momento de candidatura e a execução do projeto.

Uma nota final

Neste capítulo foi feito um resumo de algumas das medidas de financiamento mais relevantes para quando um empreendedor quer iniciar ou desenvolver um negócio no sector agrícola ou agroalimentar. A informação apresentada tem apenas o objetivo de enquadrar quem consulte este Guia nos possíveis caminhos a seguir. A complexidade deste tema, nomeadamente da diversidade e tipologias de apoios públicos que existem a nível europeu e nacional, não permitem fazer aqui referência a todos os apoios que estão disponíveis, nem apresentar os que foram mencionados de forma mais detalhada. Aliás, foi referido que este é um tema que é tão importante e tão complexo, que a melhor alternativa é, possivelmente, contratar uma empresa ou alguém que possa dar apoio nesta área.

Convém ainda referir que as medidas aqui apresentadas, quer europeias quer portuguesas, referem-se ao atual quadro comunitário (que acaba em 2020) e nem sempre estão abertas em contínuo, ou seja, funcionam por convocatórias. Só estando atento e consultando as plataformas web dos programas de financiamento é possível saber as oportunidades que existem em cada momento.